terça-feira, 31 de janeiro de 2012

E eu achando que estava numa "viagem psicodélica" (Parte 1)


Leitores, meu primo Uryel, resolveu escrever sobre três dias que foram apagados de minha memória. Não posso negar que ele escreve bem melhor que eu, mas eu não pude deixar de fazer comentários para que vocês entendam o que está se passando na narração. Meus comentários sempre estarão entre (parenteses). Tudo que esta sendo dito aqui é de total credibilidade de meu primo, pois eu não lembro de nada.
Vamos á história:

Era uma sexta-feira monótona, como qualquer outro dia de trabalho, ansioso para que o sábado chegasse, eu não imaginava que um dos meus dias mais estranho e triste estava por vir.
Depois de 4 horas de intenso trabalho, chegando em casa para o almoço me deparo com a cena mais triste e penante da minha vida. Vendo Mark, meu primo, praticamente sem saber onde estava. Com olhos murchos, não conseguia falar, ora parecia elétrico, ora parecia sonolento. Eu não sabia o que se passava! Seus dias deviam estar sendo horríveis, pois uma semana atrás Mark passara por uma consulta tendo em vista seus problemas de vícios (drogas licitas e ilicitas). Estava ele em um estado deplorável, fisicamente imundo, etc.(nem precisa mais detalhes para saber como eu estava!)
Nem me passava pela cabeça que tal rapaz tinha usufruido com muita intensidade de uma certa substância. Depois de alguns minutos conversando com Mark percebi que ele realmente não estava em sã conciência. Passado mais ou menos quarenta minutos cheguei a conclusão que tinha que levá-lo ao médico (gente acreditam nisso? meu primo esperou 40 minutos para me levar ao médico!). Não, eu NÃO sabia como fazer isso, pois Mark estava praticamente como um zumbi.
  -Mark, você precisa ir ao médico.
  -Não primo, acho que isso vai passar, já já.
Então, eu com meu jeito de ser (meu primo se achou aqui!), convenci Mark a ir ao médico, mas ainda não sabia como fazer isso! Por mais que Mark estivesse só em ossos, não consegueria carregá-lo tão longe ainda mais naquele sol do meio-dia, escaldante.
  -Vamos então Mark... Vamos sair ás 12:15h que conseguiremos até as 13:00h chegar ao médico, e por favor vamos tirar essa touca peruana (sim leitores, eu estava usando uma touca  peruana, ridicula segundo meu primo!) que é horrível e o calor está muito intenso.
  -Não, se for sem touca eu nem vou !!!(cara, eu tava muito doido!)
  -Ok, tudo bem.
Eu sabia que no estado que Mark estava não adiantaria contrariá-lo, afinal Mark sempre foi teimoso e ainda, praticamente em coma, não faria diferença alguma ir de touca ou não!(maldito, vai pagar pelo resto da vida pelo mico que me deixou passar!).
Saímos os dois, eu segurava Mark pelos braços, algumas vezes até carreguei, mas ele não sabe disso,(estou sabendo agora!)
Conseguimos ir duas quadras,(ele podia ter chamado um táxi, sei lá!)eu já estava cansado e Mark não conseguia mais com suas pernas, estava entrando em colapso mental, não falava mais as coisas direito e não conseguia nem andar.
Lembrei então de um motorista (de ambulância, poxa vida!)que morava no bairro e poderia nos ajudar, pois eu era amigo dele. Até trabalhamos juntos no hospital certa vez.
Bati palmas -'clap clap clap'- saiu de dentro de casa. Estava almoçando.
  -Ola, tudo bem? Poderia levar meu amigo ao médico ele está muito mal... Preciso que você faça esse favor pra mim.
  -Só vou escovar meus dentes... Só um "menuto"...
Eu ri naquela hora.  Já estava tão cansado que fiquei feliz quando consegui a carona. Entramos no carro, Mark nem se quer abria os olhos muito menos conseguiu colocar o cinto. Estava praticamente "zumbinizado" (eu zumbi? magina gente!).
Chegamos ao médico, mais precisamente no posto de saúde público (agora aqui se explica muita coisa..Principalmente o "porque" demorou tanto a me socorrerem!).
  -Oi Serena tudo bem? Preciso que você marque uma consulta com o Dr. Santos, é possivel?
  -O Dr. Santos está atendendo em outra cidade, hoje não será possível consultar com ele.
  -Não? Não é para mim é para meu primo Mark. Ele está muito mal!!!
  -Hum... Eu conheço ele, ele mora com você? Vocês dividem a casa não é?
  -Sim, Então o que você poderia fazer?
  -Olha, temos o Dr. Roberto e a Dra. Crys...
  -Pode ser a Dra. Crys. Urgente!!!
(Gente do céu, eu estava prestes a ter um ataque cardíaco ou um calapso cerebral, e estes dois estavam aparentemente calmos! Jesus, eu poderia estar morto!).
 Eu já conhecia a Dra. Crys, então na sala de espera Mark acorda (sala de espera? um zumbi na sala de espera?). Mark conversa com duas pessoas que o acalmavam o todo tempo todo enquanto ele ficou lá. (sim, aqui eu sei que era eu. Sou bom em comunicação até na beira da morte!). Eu fui até a minha sala, pois já havia passado do meu horário de começar a trabalhar. Cheguei e contei o que tinha acontecido e disse que iria voltar assim que levasse Mark de volta para casa depois da consulta...(meu pai e o senhor Jesus Cristo, iriam me levar para casa?)
Já no consultório...  A Dra Crys pergunta:
  -O que aconteceu Sr° Mark?
  -Não sei! (gente eu ainda conseguia falar?) Acho que tomei umas dragenas a mais Bup e Rivotril, eu achei que tinha tomado apenas um, mas levantei várias vezes á noite e acho que tomei todas. Ás vezes eu achava que não tinha tomado uma, mas na verdade eu já tinha tomado tudo, aí acabei ficando mal, achando que eu não tinha tomado nada.(gente eu não falava nada lógico ou racional!).Dra. vai acontecer algo comigo? Eu vou morrer? Eu não vou ficar com sequelas? Me ajuda...
  -Não Mark! Apenas você vai ter muito sono, podera ter muita dor de cabeça mas com umas doze horas de sono você apresentará melhora.
(Pra vocês entenderem o que se passava: Eu estava á duas semanas num tratamento anti-vicios licitos e ilicitos como cigarro, álcool e cocaína. Então para diminuir a ansiedade e conseguir dormir a noite, meu psiquiatra me recomendou tais remédios. Eu sempre tomei direitinho, mas lembro que esta noite eu estava extremamente ansioso. Tomei a quantidade correta do rémedio e chorei até que as vozes e luzes desaparecessem de minha cabeça. Adormeci profundamente e a partir daí não lembro de mais nada!)
Mark apaga novamente. Enquanto Mark estava dormia eu e Dra. Crys conversavamos sobre ele. Ela perguntou algumas coisas e eu fui contando o que lhe interessava. Terminado a consulta, tínhamos que voltar para casa. Naquela hora eu já tinha ligado no trabalho e falado que não poderia ir trabalhar, pois Mark não iria melhorar tão cedo e jamais poderia deixa-lo sozinho naquele estado...(eu devia estar mal mesmo, a ponto de meu primo faltar no seu trampo!)  
E a volta para casa como fazer? Eu novamente em apuros. Mark nem pensar que conseguiria ir, afinal estava dormindo sentado em um cadeira (eu chamaria um táxi, simples assim!).
Aí lembrei que conhecia Nina que trabalha na farmácia e, ela tinha um carro, aí poderia levar eu e Mark em casa (Não diga, sério?).
Nina muito bem disposta, com um sorriso leve disse "sim levo". Agradeço Nina até hoje por ela fazer este favor e ainda não quis cobrar nada por isso.
Chegamos em casa Mark foi direto para cama. Desmaiou e acordou nove horas depois (nove horas? sou a bela adormecida?) isso já era mais ou menos 23:15 de sexta-feira.
Agora, pasmem senhores leitores, Mark ficou de apresentar seu namorado Albert para mim e Stiury, seu irmão, as 00:00 de sábado e iria encontá-lo perto da Igreja!!! Como Mark iria sair de casa naquele estado á meia-noite?
Albert liga, eu atendo.
  -Estou chegando. Já passei o portal da cidade e o Mark ? Porque não atendeu?
  -É...É que ele não está muito bem... Eu vou busca-lo no lugar combinado. Ao chegar aguarde que já passo por lá.
Neste momento Mark acorda desesperado.
  -Primo que horas são? Preciso tomar um banho e ir trabalhar...
  -Não dá já é meia-noite!!! (meu pai, eu não tinha noção de espaço e tempo!)
  -E o Albert?
  -Já chegou...Vou encontrar ele...
Mark levantou ás pressas, meio tonto e tropeçando nas pernas. Esta zen, viajando ou "grogue" como dizia Albert.
Mark falando "grog": -Vou tomar um banho e depois encontrarei Albert.
  -Não Mark, você não pode ir. Você não está bem, está horrivel. Estado físico deplorável e ainda não consegue andar direito. Vai cair e se machucar.
  -Eu vou sim.. Só tomar um banho...
Enquanto Mark tomava banho escondi suas chaves, abri a porta a fechei por fora e fui buscar Albert.
Eu não conhecia Albert pessoalmente apenas pela internet. Chegamos em casa Mark estava saindo do banho. Ainda continuava muito mal, por isso a demora em tomar uma ducha.
Albert: -Que é isso muleque? Grog desse jeito? O que aconteceu? Parece que andou bebendo por uns cinco dias sem parar? E falou mais alguns palavrões.
Eu, como sou de tirar conclusões na primeira impressão, fiquei sem saber como reagir diante de Albert. O respeitei em todas as suas atitudes, afinal ele era namorado de meu grande amigo, primo e irmão. Mark tentou apresenta-lo a nós mas estava tão indisposto e com tanto sono que não falava bem, estava muito tonto.
Mark apagou novamente.
Conversei um pouco com Albert e fui dormir, isso já era 02:45 de sábado. No sábado tinhamos que ir as compras pois Albert ficaria o final de semana todo, e nossa geladeira estava magra (estava tão magra que se um passasse na frente com a porta aberta, ela engolia!). Fomos nós três. Ainda mal,Mark toda hora ficava perguntando o que tinha acontecido pois ele não lembrava de nada. Fiz o almoço como tinha prometido que faria. Depois do almoço sai, fui curtir um pouco. Albert diz que Mark dormiu a tarde toda naquele sábado. Cheguei as 19:00 em casa, Mark levantou e fomos tomar sorvete. No caminho e na sorveteria toda hora Mark não parava de perguntar o que tinha acontecido, eu tinha contado várias vezes e já estava extressado com Mark. No domingo fui para casa de meus pais não sei o que aconteceu, mas Albert falou que Mark estava bem melhor.
No final deu tudo certo... Mark superou o acontecido. Eu fico feliz por ele superar todas as coisas que acontece com ele. Vejo Mark como um ser extraordinário que vive a vida com intensidade aproveitando tudo de bom que ela oferece. E também aproveita as coisas ruins da vida. Mas nós o amamos mesmo assim.FIM.
Quase esqueci, Mark tomou duas cartelas de comprimidos! Uma de Bup e outra de Rivotril...
(Bem leitores, vocês já sabem que sou bem sentimental. Quando eu li minha história narrada por meu primo eu me emocionei e não contive as lágrimas. Eu sou e afirmo ser muito homem quando disse na cara dele: Primo, eu tiamo!).

No próximo post, vou narrar o que eu vi. Em "flashs", pois não lembro de praticamente nada do que aconteceu neste final de semana turbulento. É UMA VISÃO QUASE DE EQM. Falarei também da impotância que Albert teve, e ainda tem, em minha vida.

4 comentários:

  1. Interessante ouvir do ponto de vista de outra pessoa esta história. E comprovar que, por ser quem é, Mark tem grande pessoas ao seu redor (amigos, parentes, amados, ...) e que gostam muito dele por ele ser exatamente quem é...
    É, a vida dando suas voltas...

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    1. Obrigado, Excelsius, primeiramente por vir até meu blog, e depois quero dizer que vocês leitores também são meus amigos, e estamos aqui, através de histórias, dividindo sentimentos com intuito de dizer que "não estamos sozinhos, jamais".

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  2. Respostas
    1. Isso sem sombra de dúvidas. Eu espero que todos encontre um dia um amigo deste que eu tenho.

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