domingo, 29 de janeiro de 2012

"Para encontrar a si PRÓPRIO é necessário perder-se". (Parte I)


Hoje vou contar um pouco mais sobre meu passado. Um passado feliz, vazio e triste.
Tive uma infância maravilhosa, assim como uma adolescência "normal", até me descobrir ser gay.
Ao contrário de muitos gays, eu nunca tive problemas com familía ou na escola. Isso porque sempre levei uma vida hétero! Tudo mais fácil quando se nasce do "jeito certo".
Meus amigos eram todos heteros,  o curioso é que eu só tinha amigos héteros. Pelo meu próprio preconceito (comigo mesmo, pois sempre achei normal uma outra pessoa ser gay, mas eu não). Logo eu que em qualquer situação falava alto:
   -Pode ficar tranquilo quanto a isso, eu não tenho nehuma forma de preconceito! (que hipocresia, enganando a quem? A mim mesmo!)
Então, eu vivia uma vida falsa, inventada por mim.Eu era gay, e fingia não ser. Isso não quer dizer que eu SEMPRE fui infeliz...Toda minha vida fui grato pelo que eu conquistava.Eu era um dos filhos mais mimado da familia, o mais educado e comportado.Sempre com boas notas. Sabe aquele nerd da sala de aula que a maioria tem inveja ou raiva? Era eu. Engraçado que eu sentava aos fundos da sala de aula, bagunçava pra caramba, mas tinha uma grande capacidade de absorção de informação. Eu era especial, em todos os sentidos.
Mas chega um dia que a gente cresce, e as transformações fisicas e mentais nos despertam algo a mais na vida. E tudo começa a ficar complicado. Sensações não sentidas até então começam a percorrer nossos corpos. Eu já sabia  que eu não sentia atração por meninas (FATO#). Por meninos também não. Sim, Mark, adolescente, já sentia algo diferente por um professor (sempre achei que todos os professores são super inteligentes). Aqui começou o meu fascinio por pessoas inteligentes e que buscam algo além. Que gostam de viver a vida de uma forma poética, mágica... Assim era eu, uma pessoa normal que fantasiava mundos em sua cabeça, mundos perfeitos.
Até terminhar o colegial, eu continuei fingindo. Apenas escondendo dentro de mim o meu verdadeiro eu. Se você é gay num lugar que só existe héteros (na maioria), a "sobrevivência" é mais dificil, porèm, inteligente como eu era, usei a seguinte estratégia: "Se você não pode com os "inimigos" junta-se a eles". Assim o fiz.
Com dezessete anos, acabado o colegial, fui morar com minha irmã para trabalhar. Minha primeira mudança, meus pais não queriam que eu saisse de casa. Mas isso significava mais para mim. Era o inicio da busca de meus objetivos. Eu ainda fingia não ser gay.
Dois anos depois fui morar com meu irmão, no centro da cidade. Comecei num trabalho novo, fiz muitas amizades rapidamente (uma das minhas melhores caracteristicas). Então, lá estava eu, morando num lugar confortável  no centro da cidade, um bom trabalho muitos amigos e começando meus estudos (Administração).
Era feliz.Sim, eu era.Mas tinha alguns dias,ao final da tarde que um vazio tomava conta de mim e dilacerava minha alma. Não importava tudo o que eu tinha conquistado até aquele momento, eu deitava a cabeça no travesseiro para dormir e o vazio ainda estava dentro de mim.
Então eu vivia assim. Um rapaz extremamente feliz e motivado para os outros e infeliz e vazio para mim mesmo.
Numa noite de angústia, tristeza, anedonia, nostalgia e solidão eu descobri o FASCÍNIO PELO PRAZER INSTANTÂNEO E MOMENTÂNEO: AS DROGAS. E a minha vida não estava para piorar. Só muito.
Continua...


7 comentários:

  1. E mais uma vez em algum lugar do mundo a estória se repete com alguns adicionais aqui , umas diferenças poucas acolá. É isso ai garoto!
    "linkado" quero saber a continuação...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Fer por aqui passar...No próximo capitulo você descobrira porque usei cocaína até surtar, ser hospitalizado e entrar em coma, e três dias depois quando acordei uma pastora da igreja que eu frequentava (não sabiam que eu era gay!) me exorcisou...Foi tenso!!! Já esta linkado tambèm.

      Excluir
  2. o Fer está certo ... com uns ou outros adicionais, em algum lugar e em todo o tempo a história se repete ...

    ps: vc sugeriu o Bratz postou ... um estudo sobre o conceito #TREPAR ... rs

    bjão

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bratz, obrigado...Você num poderia ter se saído melhor na postagem, PARABÉNS...Eu continuo aqui seguindo os mestres, vocês é claro...

      Excluir
  3. Comigo aconteceu parecido. Com exceção da parte das drogas. Sempre tive outras válvulas de escape. A dor física sempre me ajudou a manter a dor emocional num nível suportável. É aquela história: quando dois pontos sinalizam dor ao mesmo tempo, prevalece a dor maior. E olha, quem acha que a dor do coração é a pior que existe nunca tomou uma boa surra :p.

    Mas brincadeiras a parte, caí aqui por acaso, pelo post do Bratz. Me surpreendi com meu blog tchutchuco linkado ali do lado. Aproveitei que o blog é recente, e passei lendo tudo. Tudinho. Gostei que você também é dado (ui!) às narrativas.

    Passarei aqui mais vezes, certamente.

    Beijo doido! (Mais um pro clube hahaha)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. EU TENHO UM AMIGO GAY QUE SE CORTA COM UMA FACA, EU ACHO ELE SINISTRO, vou blogar sobre ele depois....

      Lobo, você foi um dos primeiros que linkei, parabéns pelo blog!
      Adoro narrativas, mas sou péssimo em português, então não se decepcione com os "erros"...
      E como falei ao Bratz, eu estou aprendendo com vocês a blogar, só com os melhores...

      Excluir
    2. Agora me diz em que universo paralelo o meu português é bom? hahaha

      Excluir