sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Para se obter um bom bronzeamento físico: Tenha caráter mental !"

Segundo o dicionário Houaiss, bronzear é ‘adquirir tom moreno, amorenar-se’.
Nestas épocas de verão, as pessoas que podem dirigem-se as praias  para, entre outras coisas, pegar um bronzeado. Quem de nós não fez isso ou não gostaria de fazer isso.
Eu me pergunto, pra quê? 
Expor-se ao sol escaldante, correndo o risco de contrair doenças de pele, desde um simples vermelhão ardente até algo mais drástico como um câncer de pele. E com que objetivo?
A maioria pode e dizer que ”é pra ficar mais bonito e mais bonita”. Hehe...
Então eu pergunto novamente: quem vai ver?
O que me faz questionar isso é o fato de que somente na praia andamos de sunga e biquíni. Além dali, onde mostramos nosso corpo de maneira mais explícita, não lembro-me de outros lugares que possamos andar assim trajados.
No cotidiano, as vestes que usamos revelam pouco, ou quase nada, do bronzeado adquirido. As partes do corpo que normalmente as pessoas vêem já tem um tom de pele mais amorenado pela exposição diária ao sol nas atividades que fazemos rotineiramente.
Sem contar que a maioria, com o passar do tempo, começa a perder o tom de pele tão almejado, começam a “descascar”.
Talvez um lugar em que possamos mostrar o tal bronzeado, a marca da sunga ou do biquíni seria a cama, num momento mais íntimo (na hora do sexo!). 
Mas aí também eu me pergunto, que diferença vai fazer?
A pessoa vai gostar mais ou menos de ti por causa de um bronzeado? Tu serás mais ou menos homem ou mulher por causa dele? Sua atuação sexual será melhor ou pior em sua decorrência?
E, desculpe o comentário, dependendo da intensidade da ânsia sexual (desejo, tesão!) a pessoa nem vai reparar neste detalhe.
Então, porque perdemos momentos preciosos (algumas pessoas perdem horas) torrando ao sol?
Uma explicação que talvez satisfaça é o padrão vigente de moda, imposto pelos meios de comunicação em massa, coordenados por uma classe ainda dominante, e sua busca incessante por lucro. O mundo capitalista.
Classe essa que dita os padrões de comportamento em diversos pontos: desde peso e alturas ideais, roupas certas ou não (como bem escreveu meu amigo Mark em seu blog), comportamentos sexuais (heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade), comportamentos de gênero ( o que homens e mulheres podem e devem fazer) e tantos outros.
Uma classe dominante que usa o PIG (Partido da Imprensa Golpista) para tentar manter-se no poder. Poder este agora ameaçado pelas mudanças sociais ocorrentes em nosso país.
E há algo ainda a destacar, algo de certo modo extremamente irônico ante esta dita classe dominante. Usam a cor de pele para discriminar toda uma classe historicamente alijada de muitos direitos mas, para venderem e terem seu lucro, não medem escrúpulos e apropriam-se do tom de pele como algo a ser buscado.
Há como mudar esta situação? Talvez... Mas a questão primordial nem seria esta, mas sim o fato de que se as pessoas querem mudar isso.
Como escreve Guacira Lopes Louro, em seu livro A construção escolar das diferenças, (...) “através de muitas instituições e práticas, essa concepções foram e são aprendidas e interiorizadas; tornam-se quase ‘naturais’ (ainda que sejam fatos culturais)“ , “os sentidos precisam estar afiados para que sejam capazes de ver, ouvir, sentir as múltiplas formas de constituição dos sujeitos...”
Está aí o desabafo de alguém que também já quis ter um bronzeado, mas que agora procura tentar ter um olhar mais crítico frente a certos comportamentos ditos “normais”.

Um comentário:

  1. Muito bom. Gostei da maneira como você contextualizou o tema e relacionou com a ideologia dominante do PIG. É interessante lembrar que há aguns anos atrás as pessoas quando saiam no sol se cobriam para não ter a cor característica dos trabalhadores braçais... Quem era branco é por que não trabalhava. A questão rico pobre sempre em evidência e todos sendo manipulados...

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