quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sou o que eu visto


"Depois que acalmou um pouco a chuva, resolvi dar uma caminhada e ir até o supermercado. Coloquei uma mochila com um guarda-chuva nas costas e saí. Andei pelas ruas da cidade me sentindo sozinho. A sensação de estar só no mundo é assustadora e corrói a alma aos pouquinhos.
  Quando estava no meio do caminho, um carro parou e encostou. O motorista me fez um sinal para chegar mais perto. Olhei para os lados para ter certeza que era eu quem ele chamava. Tirei meu fone de ouvido e me aproximei do carro.
-Viu, véio você mora aqui mesmo nesta cidade?
- Sim, moro.
- Então, eu moro na cidade vizinha e vim aqui procurar uma verdinha. Você por acaso você não vende?
- Verdinha
Sim, eu sabia que era maconha, mas naturalmente fingi que não entendia sobre o que o sujeito estava falando.
- Não sei não moço.
- Pois é, tô a procura faz dias. Lá na minha cidade também está em falta!
- Pois é véio, desculpe não poder ajudar.
- Tranquilo, tranquilo. Eu vou dar umas bandas na cidade ver se acho alguma boca.

  Coloquei meus fones e saí com passos largos em direção ao supermercado. Uma coisa não me saía da cabeça: "O que levou o tal sujeito parar o carro na rua e pedir justamente se eu vendia drogas?
Poderia  haver muitos fatores para eu ser confundido com um traficante? Não. Definitivamente não. Porém, cheguei a conclusão que ele só me parou na rua por um único motivo: "A roupa que eu estava usando naquele momento". Tente imaginar, neste momento, como um traficante se veste. Imaginou? 
Percebi assim, que acabamos sendo o que não somos pela forma que nos vestimos. Garanto que a maioria de vocês entenderam o que quero dizer.

Fica aqui mais um relato - mesmo sabendo que ninguém se importa - e quero apenas reforçar a constatação de que você é logo julgado pela roupa que usa antes mesmo de abrir sua boca para dizer quem realmente é."

2 comentários:

  1. "As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam" ... já dizia o poeta ...

    sofro de confusão semelhante ...

    bjão

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  2. Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz Como eu citei no texto :"Quando chegamos a qualquer lugar, antes de termos chance de falar ou até mesmo de sorrir, já fomos avaliados visualmente"...FATO#

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