sábado, 18 de junho de 2016

Já estou morto.

As dores psicológicas - e espirituais  - estão sendo somatizadas em meu corpo físico. Não aguento mais. Os meus dias são infindáveis e cada segundo é uma angústia amedrontadora que jamais senti antes. ´É doloroso viver. Não obstante, as noites são as piores. Não tenho dúvida alguma de que minha alma escurece junto com o findar da tarde e isso torna a noite o meu pior momento. Rolo na cama tentando dormir. Não obtenho êxito neste desejo. Desejo talvez um pouco simples para as outras pessoas. Este processo vira um circulo vicioso, sendo repetido inúmeras vezes até eu me sentir exausto de tanto tentar dormir.

Sons captados durante o dia tornam-se reais em minha cabeça. Ouço-os nitidamente com uma perfeição incrível. Imagens e luzes confundem-se e cegam meus olhos. Olhos perdidos na escuridão da noite em meu quarto. A ansiedade é exaustiva, não posso mais aguentar. Senti o ar entrando com dificuldade nos meus pulmões. Comecei a suar frio. Uma tremedeira invadiu o meu corpo - e alma - sem me pedir licença. O nó na garganta dói, não consigo mais engolir. Uma lagrima quente lentamente molha a minha face na escuridão.

   "- Homem não chora meu filho!" - dizia a minha mãe.

Sendo eu apenas  uma criança, minha mãe nunca me explicou que aquele vazio - e medo - dói, que nos destrói lentamente e nos asfixia na escuridão. Minha cama, outrora quentinha e aconchegante, tornou - se meu caixão. Ninguém me vê. Ninguém esta chorando pela minha morte, apenas eu mesmo.

Mesmo estando em soluços e em pedaços a dor não me abandona nunca, ela insiste em me jogar num abismo sem fim. Juntei forças e me levantei, atordoado, em direção ao banheiro. Olhei no espelho. Não me vi. Meu coração já não suporta mais. Encostei-me na parede, fui escorregando ao poucos até o chão. Sentei no piso frio do banheiro. Apoiei a cabeça nos joelhos junto ao peito. Gritei de dor. Eu estou desaparecendo.

Descobri que já estou morto. Um morto que só quer voltar a viver. E o assassino? Este esta por aí, disfarçou-se com o nome de ignorância, preconceito, machismo e muitas vezes  de intolerância religiosa.

4 comentários:

  1. não se aflija tanto querido! isto é só uma fase q um dia superamos ... eu demorei um pouco para atingir este grau mas consegui ... isto foi aos 30 anos ... hoje morro de rir de todo o meu sofrimento anterior ... acredite ... vc vence isto ...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Na verdade Bratz, este texto eu escrevi há muito tempo atrás. Apenas resolvi publica-lo aqui pelo simples fato de que ninguem esta só. De que todos temos uma vida para se viver de cabeça de erguida...Seja ela clara ou escura, feliz ou triste.

      Excluir
  2. Já senti tanto isso. E acho que o tema hj foi vazio pra todo mundo já pasei numa porrada de blogs hj dando parcialmente o mesmo comentário. Todo vazio tem a peça que o preenche do tamanho exato dele, nós somos os desbravadores a procura de tal peça. Felizmente eu achei! espero que vc ache também. Sorte de bençãos pra ti amigo.

    ResponderExcluir
  3. Um dia de cada vez. Como dizia minha mãe:
    "Nenhum sofrimento é eterno. Amanhã, talvez semana que vem ou ano que vem passa."
    Obrigado.

    ResponderExcluir