domingo, 11 de agosto de 2013

Pai: O herói que não usa capa!

"Dedicado ao Sr. Juquinha (José), que não é nenhum herói, é meu pai."

O Sol apontava timidamente seus primeiros raios sobre as montanhas que cobriam todo o horizonte. "Estou com medo mãe! Estou tentando encarar tudo isso de cabeça erguida... E assim vivo tentando. Tentando reconstruir todos meus melhores momentos. E o tempo vai passando e eu nem dou conta do quanto estou infeliz na tentativa de voltar no tempo". Minha mãe me olhou com um olhar firme. "-Filho, não podemos viver do passado. Temos que amadurecer e seguir em frente!" Eu engoli o choro mais uma vez, mesmo sabendo que minha mãe não se importaria se eu chorasse na sua frente. "-O fato é que o 'seguir em frente' pode ser mais difícil do que pensamos, mãe..." Meu pai entrou na varanda tateando uma cadeira para sentar. Ficou olhando para o nada, tentando imaginar o que se passava entre minha mãe e eu. Desde que meu pai perdera a visão se tornou uma pessoa extremamente sensível e auditiva. Consegue ficar horas ouvindo uma conversa antes de dizer uma palavra sequer." -Mark, você esta deixando sua mãe e eu muito preocupados. Fala filho... Quem sabe o paizinho aqui, que não sabe de nada destas 'cabeças de jovens', pode ajudar." Eu abracei meu pai. "-Sabe o que é pai? Estou com muito medo! Estou passando por um momento em que as coisas ao meu redor parecem ter perdido o sentido e entrei num profundo processo de auto-questionamento. Aqueles valores, sabe pai? Crenças e condutas que até então eram válidos já não são mais e, ao mesmo tempo, não consigo reformulá-los. Tudo isso é sentido por mim como um ‘vazio dolorido’ ou um ‘caos interior’." Meu pai começou a chorar. Há muito tempo ele vinha acompanhando minha tristeza sem falar nada. Ele estava sofrendo comigo em silêncio. "-Filho, não precisa falar nada para o pai se não quiser, eu entendo pelo seu silêncio que você esta sofrendo... Mas, embora sinta muito sofrimento,eu sei que este é um momento precioso da sua vida por ser uma época de virada e superação..." Minha mãe se aproximou. Choramos os três abraçados na varanda. Peguei minha mochila, coloquei meus óculos e o fone de ouvido. Já estava atrasado para o ônibus.
"-Filho quando você vai melhorar?"
"-Não sei pai, não sei."

(Me sinto abençoado por ter o PAI mais compreensível do mundo. Ele é um herói que não usa capa. É meu herói. É MEU PAI.)