quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"O sonho dos anjos..."

Ele chega de mansinho, senta-se na beirada da cama e, inicialmente, só observa. Eu estou ali, deitado, dormindo. Depois de um dia nada fácil as dores foram tamanhas que o corpo e a mente não aguentaram. Geralmente não gosto de tomar remédios por conta própria, mas desta vez não teve jeito. A dor era tão aguda, tão forte e tão intensa que eu não conseguia, e não queria, ficar consciente. Tomei alguns comprimidos para as dores, me dirigi ao quarto, acendi uma vela e orei. Com os olhos quase fechando, repeti novamente a invocação ao anjo da guarda e me deitei. Dormi. Inicialmente me debati muito, mas aos poucos fui serenando. Agora eu estava dormindo tranquilamente, apesar de a febre ainda rondar meu corpo. E ele estava ali. Olhou-me por alguns minutos e, então, chegou mais perto da cabeceira e começou a tocar minha fronte, a mexer em meus cabelos. Uma força emanava dele, uma energia tranquilizadora e benfazeja emanava de suas mãos. Ele ali, de olhos fechados, e sua mão percorria vagarosa e carinhosamente os cabelos, o pescoço, o rosto e a fronte. Ficou nesse carinho por um bom tempo, o necessário. Até que ele ouve um ruído, abre os olhos e olha para a direção do ruído: a porta de entrada do quarto. Ela estava ali, em pé com o ombro encostado no batente da porta e a cabeça levemente inclinada, observando. Ele não a conhecera pessoalmente, mas sabe muito bem quem ela é. Faz menção de se levantar, mas ela indica com um gesto que não, que continue sentado.
- Eu fiz a minha parte quando estive aí e daqui faço o que posso. Agora é a sua vez de cuidar dele, de o ajudar, mesmo de longe...
- Mas... (ele ia falar porém o nó na garganta não deixou).
- Ele confia em você e sabe que você pode e vai ajudá-lo. E eu também confio. E sei...
- Como? (outra vez sem fala, mas agora as lágrimas também embaçam seu olhar).
Ele sente o toque suave das mãos, uma em seu ombro e outra em sua cabeça.
- Confie em você, confie nele. Eu confio e ajudo os dois.
A sensação é de paz e benção. Tranquilidade serena.
...
Abro os olhos assustado. Tento me localizar. O coração bate acelerado, estou suando mas sem febre. Tento me acalmar. Foi só um sonho. Novamente aquele sonho!
Por Celso Marczal, um anjo Gabriel.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

"Estou perdido e não consigo encontrar meu caminho de casa!"

"Eles insistem, meu Deus, em proferir palavras contra mim que destrói a minha alma. Elas vem quebrando o meu mundo e perfurando meu coração. É doloroso para mim e eu não consigo entender meu Pai. Eu só quero viver em paz, eu só quero viver minha vida. As palavras contra mim já estão sendo desnecessárias, elas me machucam. Elas não me deixam viver. Custa entender que eu sou igual a todo mundo? Prometo, lembro e esqueço também. Tenho emoções, minto, falo a verdade, sorrio e choro muito [Ultimamente, tenho chorado com frequência].Bem, estou perto do fim e não tenho tempo. E estou perdido e não consigo encontrar meu caminho de casa. Só queria estar entre braços confortáveis, fechar os olhos e morrer!"

domingo, 5 de janeiro de 2014

"O silêncio pode falar tanta coisa para alguém que realmente ouve."

Parte 1
Da mesma forma que Mark entrara na vida de Dans*. Em silêncio. Assim também o deixou. Em silêncio. O silêncio o havia consumido por muito e  muito tempo. De tanto sofrer por falar e principalmente ouvir palavras bonitas e posteriormente ser machucado pelas mesmas palavras, Mark prometera a si mesmo que o silêncio seria suas únicas palavras a serem ditas a quem quer que fosse.
Pessoas silenciosas tem muito barulho em suas cabeças.  O silêncio é a forma mais lenta e barulhenta de suicídio. É o que nos separa do sofrer e ser feliz. É o grito que todo mundo grita e ninguém ouve. É o sonho de todos nós que perdeu-se em nossas mentes barulhentas. É o sangue que todos nós perdemos sem nunca mais poder repor um dia. É o que nos mantém vivos, ou mortos psicologicamente. Porém, o silêncio pode ser Deus no ar ou  é a morte  em vida que você, talvez, pode suportar. O silêncio é o que te consome durante o dia ou a noite lhe causando calafrios na espinha. O silêncio é a razão. E a única razão, talvez, por você não querer dizer uma palavra sequer que possa machucar alguém ou magoar a si mesmo. É o medo de ser feliz dizendo palavras bonitas (o que as pessoas querem ouvir) ou viver eternamente triste por nada dizer (e só falar quando realmente necessário e verdadeiro).
Nada mais a dizer. O silêncio instaurou o caos em sua mente. Mesmo diante das palavras mais belas e surpreendentes de Dans*, Mark preferiu o silêncio e o suicídio mental que o consumiram.