quinta-feira, 21 de abril de 2016

Sobre amor, negação e ódio


Diante de tanta discussão sobre tal assunto, quero registrar aqui a minha hipocrisia, isso mesmo hipocrisia. Como dizia um velho companheiro meu, o Aurélio, "a hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não as possui... " e por aí vai. O mal maior da hipocrisia não é simplesmente aconselhar o que você simplesmente não faz, mas acreditar que ainda és verdadeiramente feliz assim. 
Posso afirmar que com tanta fome no Brasil e no mundo, com tantas bombas atômicas sendo posicionadas para a guerra, com tantas drogas e armas em mãos erradas e tantos engravatados roubando o meu e o seu dinheiro nas Brasilias e nas prefeituras, ainda tem gente que se presta a perder tempo julgando pessoas que só querem viver em paz. A cada dia que passa vejo um mundo mais hipócrita.

Agora que entendemos bem o que é hipocrisia, também teremos a capacidade - em teoria - de entendermos o porque é tão bom deixar de ser uma 'coisa' que é hostilizada, condenada e assassinada todos os dias aqui no Brasil e no mundo. 

10 boas razões para ser ex-gay heterossexual:

Razão 1 - Devido a todas as pessoas que vão parar de te perseguir. Como manifestantes conservadores sexistas, os assassinos de homoafetivos e as famílias que renegam seus filhos (a) por serem assim;

Razão 2 - Pela diminuição das estatísticas de suicídio. Ninguém sofrerá perseguição pela sua heterossexualidade.

Razão 3 - Porque não precisaremos mais amar em segredo. Amar será tão simples quanto respirar;

Razão 4 - Porque um ex-gay pode se casar, já um homoafetivo não, é contra a lei amar alguém;

Razão 5 - Porque todo mundo na igreja é totalmente favorável, Levítico diz isso.

Razão 6 - Porque você poderá sair em público com a pessoa amada, sem ser apontado, julgado ou marginalizado;

Razão 7 - Porque é um maravilhoso exercício para o seu cérebro você ser o número um em negação de que você era/é gay;

Razão 8 - Porque nenhum homoafetivo que discorde de sua heteroafetividade vai te espancar ou te matar;

Razão 9 - Porque você poderá sair de casa sem se preocupar com o que vai te acontecer na esquina;

Razão 10 - Porque você não precisa preocupar -se com sua postura diante de seus pais ou quando está perto de outras pessoas.

Simples assim. Tão simples quanto respirar.

Insônia: doença ou maldição?

Das crônicas "Viagens de Um Menino Voador

Só queria ter certeza de que o amanhã não terás as dores de hoje.

"Por que eu não consigo dormir á noite?" - pensava eu desesperado ao saber que já estava amanhecendo outra vez e ainda não tinha conseguido dormir. Boca seca e amarga, mãos trêmulas, dor no peito e  um barulho na cabeça quase me enlouqueciam todas as noites. Já  tinha tentado quase tudo. Da medicação à meditação.  Já fazia mais de três anos sem conseguir dormir direito. Sintia-me fraco. Não tanto á ponto de sentir sono. Tinha alucinações, pesadelos de olhos abertos e exaustão  física e psicológica, no entanto ainda estava acordado.
-" Será doença ou maldição?" - ficava me perguntando para tentar entender toda aquela situação.

E mesmo não aceitando, virou rotina eu ir dormir com aqueles malditos acufenos a me enlouquecer. Foi difícil se acostumar com a dor, mesmo já tendo se passado tantos meses. Na verdade não sabia o que me dóia mais: se era aquele barulho na minha cabeça, as dores  psicossomáticas no corpo - que analgésico nenhum curava - ou se era o meu coração se recusando a  aceitar a verdade.
Não me restando mais nada a fazer comecei chorar todas as noites com a esperança de que aquilo fosse passar logo. Chorei muito. Só eu e meu travesseiro. Não passou.

Com o passar dos meses, exausto, descobri que chorar não cura e nem alivia a sua maldita alma. O que cura? Não sei. Cientista nenhum - ainda não - sabe."

domingo, 10 de abril de 2016

"Sobre dores psicossomáticas"

Hoje pela manhã, sem levantar da cama, abri o blackout da janela para iluminar meu quarto. Não tinha ânimo para levantar. Fiquei por alguns minutos, imóvel, observando meu quarto em silêncio. De repente, olhei para o guarda-roupa e uma coisa me chamou atenção: um mini Mapa-Mundí - daqueles de bolso - recortado e colado em uma das portas tendo sobre a  Índia um circulo vermelho feito por pincel atômico vermelho - qual roubei do professor de Filosofia - destacando nitidamente meu fascínio por aquele lugar.

Fechei os olhos, e depois de tanto tempo lembrei de um - tive muitos - dos meus sonhos. Um daqueles sonhos de criança, sabe? Tudo que havia acontecido comigo tinha me deixado tão fragilizado, tão desesperado que acabei esquecendo a vontade de ir conhecer a Índia. Alias, eu acabei esquecendo de todos os meus sonhos e acho que nunca mais vou ter forças para tentar realiza-los. Voltei a fechar os olhos e imaginar como seria viajar para Índia. Então, naquele instante, fui tomado por uma tímida energia e uma vontade de querer minha vida de volta, de querer os meus sonhos, de querer sentir novamente as coisas que me traziam felicidade.

Suspirei fundo, coloquei a mão sobre meu peito - ali daquele lado que fica o coração - e pensei comigo: "Bem, o primeiro passo é achar um jeito de acabar com esta maldita e angustiante dor no meu peito. Mas qual jeito? Já tentei de tudo. Desde os cházinhos da minha mãe, as longas terapias psiquiátricas até as diversas drogas - legais e ilegais - que me levaram a UTI. Que mais eu devo tentar?"


Tomei coragem, levantei e sentei na cama. Olhei pela janela, uma leve brisa morna tocou meu rosto. Boca amarga, estômago doendo, uma sensação de estar em outra realidade. Olhei para minhas mãos - trêmulas - esfreguei uma na outra meio que por compulsão e pensei: "Mas e hoje, faço o quê?"