sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A vida é um sopro


Eu queria que você estivesse deitado aqui do meu lado. Queria você aqui para sentir o seu calor, para me dar um toque macio e confortável que só você sabe dar. Para ouvir seu coração bater suave sob a sua pele macia. Eu não consigo pensar em nada mais reconfortante que a sua respiração. 

Toda noite sonho que sou capturado por seus brilhantes e amorosos olhos e me perco no pensamento deste sentimento que poderia durar para sempre. Como eu desejo que você estivesse perto. Mas, eu estou aqui sozinho. Em uma cama que parece muito grande, debaixo de cobertas que parecem tão frias, aquecidas por nada mais do que uma casca de um menino apaixonado querendo reconectar todas as peças de nossos corações divididos, adoecidos e frios. 

Eu me pergunto se  pensa em mim também. Se você tem medo de me perder para sempre. Se  me quer lá com você todos os dias ao amanhecer. Há um tempo, eu via você estar deitado na cama dormindo profundamente, em paz, e isso já era suficiente para acalentar minha alma. Eu, excessivamente, penso em você. Estou com saudades. Eu quero você aqui. Embora, eu não estarei mais aqui em breve. 

Meus olhos estão ficando pesados ​​e meu corpo está desintegrando. Me sinto à deriva, em um sono profundo o suficiente para nunca mais vê-lo novamente. Somente nos meus sonhos. Nos sonhos onde nunca precisamos  dizer adeus. Nos sonhos, onde você está sempre deitado aqui do meu lado. Em um sonho em que você não é apenas uma foto na parede.

domingo, 24 de setembro de 2017

Minhas manhãs de desespero

Foto: Eder Schütz
Desespero.

Eu me pergunto quantos dias ainda vou aguentar me sentindo perdido. Pensando em onde meu desespero me fara chegar. E os dias vão passando e eu não chego a lugar nenhum.

Todas as manhãs abro os olhos e vejo as mesmas quatro paredes brancas. Eu poderia pintá-las de cores diferentes, mas  sei que elas ainda serão as mesmas. "E se eu começar a fingir? Me convencer de que sou feliz?" Nada vai mudar eu sei, mas já é um progresso. 

Sou sufocado pelos meus pensamentos que repetem incansavelvente que as coisas podem ficar piores ainda quando eu encarar a realidade e descobrir que já "eras uma vez", não tem como mudar meu destino. Pronto. Acabou. Me ferrei e sou totalmente culpado por isso. E então eu acordarei e perceberei, que cuspi no ventilador. E a vida mudou para sempre. Só me resta ficar deitado o dia todo.

De repente, você é forçado a fazer coisas que você jamais faria. Tipo de coisas que só te trazem dor e rancor. Coisas que te fazem vomitar de remorso. E descobre que, depois de tanto chorar, você esta sozinho. Descobre que isso seria a única coisa que jamais poderia ter acontecido.  Não tem como aceitar este destino, ele é desprezível e vergonhoso. O medo, o remorso e a vergonha é tão grande que você luta para não aceitar que isso aconteceu na sua vida. É difícil dar o primeiro passo na aceitação. É difícil tentar convencer a si mesmo que não tem mais volta. Mas se não fizer isso, vai ficar na mesma. Para todo o sempre. 

Acho que estou doente por não conseguir aceitar meu destino.

sábado, 23 de setembro de 2017

Você pode me ouvir?

Não sei por que mas, hoje mesmo com a presença de Mark - meu fiel amigo felino - senti uma agonizante e sufocante solidão. Sentei com Mark na janela e ficamos olhando a chuva que caía lá fora: 

-"Você pode me ouvir Mark? Queria tanto que você soubesse e entendesse o que eu estou pensando e sentindo agora." 

Mark apenas olhava para o vidro. 

-"Você pode me ouvir gritando, neste silêncio que está batendo dentro da minha cabeça, pulsando dentro das minhas veias e que esta enfraquecendo-me, lentamente? Você pode me entender Mark?" 

Eu queria gritar. Mark mau se mexeu e continuou hipnotizado olhando a chuva que aumentava cada vez mais. 

-"Você pode me ouvir?  Você pode ouvir-me?"

Estar perdido só faz a solidão aumentar e piorar a cada gota de chuva que cai lá fora. Mark então aproximou-se do meu braço, enrolou o rabo nele como se quisesse aquece-lo: 

-"Acalma-te homem!"

Disse Mark, ainda olhando para fora. Eu fiquei perplexo, não pelo fato de ouvir meu gato falar comigo, mas pela calma e serenidade nas suas palavras diante de todo caos da minha mente.

-"Me acalmar? Como?" 

Eu estava realmente nervoso - ou seria assustado? 

-"Vamos rapaz, feche os olhos. Respire. Sinta a chuva com respirações profundas. Apenas tome uma respiração profunda. O mundo lá fora esta calmo demais para esta sua mente barulhenta." 

Mark estava certo, só que eu realmente não queria respirar mais. Eu já estava exaurido de tanto respirar e nada mudar. Não era o mundo, era eu.

A chuva começou a acalmar, o movimento nas ruas começou a aumentar. Queria ir embora dali . Queria ter coragem para fazer isso. Mas não suportaria a falta de meu gato preto imaginário. Ele também iria sentir a minha falta.

sábado, 16 de setembro de 2017

Esquecemos ou não queremos lembrar?

Todos os dias  passamos por casas, pessoas, balões coloridos, ruas, olhares e esquinas. Nelas notamos inúmeras coisas.  Notamos carros antigos ou novos, rodando, quebrados ou estacionados. Casais de namorados passeando e tirando fotos para registrar um momento que será esquecido na primeira briga. Barracas de cachorro-quente visitadas por pessoas apressadas e já frias. Praças, flores e o desenho pichado no muro já gasto pelo tempo. Bancas de jornais, dando seu ultimo suspiro de uma longa e finita existência. Hidrantes e escadas de incêndio tão ansiosos pelas chamas de um prédio. Tampinhas de garrafa no chão esperando apenas por um chute que dará vida a sua eterna inutilidade. Pessoas, padronizadas ou não, todas andando apressadas para não chegar atrasadas a seu destino. Não obstante, notamos até o formato das lajotas na calçada tão pisoteada e cansada. 

Talvez esta seja a nossa vida na era pós-moderna. Um viver correndo pelas ruas, pensando, digitando e agindo em telas e pensamentos. Realmente, andamos muito ocupado nesta vida. E é natural esquecermos de notar aquilo que realmente nos incomoda. Aquilo que sabemos que também é de nossa responsabilidade. Esquecemos de notar. Esquecemos a árvore verde e inútil lutando contra os úteis e esplêndidos arranha-céus. O músico tocando pra receber trocado na praça. O mendigo dormindo no chão com pedrinhas cutucando a sua alma. A criança que não se esforçou o suficiente passando frio na rua. Esquecemos ou não queremos lembrar?

Logo nós, que somos tão humanos, observadores e detalhistas, sofremos deste terrível mal do esquecimento.