sábado, 18 de novembro de 2017

Vai terminar comigo?


Prólogo
Não existe. Esta é uma estória verdadeira. Não se sabe quando, nem onde os fatos aconteceram, não obstante, realmente aconteceram.

Capitulo I
"A barba"

Mark estava em uma viagem de pensamentos, enquanto seu namorado via tv. Ele tinha muito trabalho a fazer naquela semana. Estava realmente exausto nos últimos dias e sabia que Albert poderia ajudá-lo a terminar logo a sua pesquisa, mas poxa, isso é um monte de trabalho para uma pessoa só fazer. 

De qualquer forma ele estava pensando "porquê Albert tinha que usar aquela barba?" Porque aquela barba realmente não era atraente, de forma alguma. 

O elogio ao cabelo bem penteado realmente não desculpou a critica que Mark fizera sobre a barba na semana passada. Albert apenas balançou a cabeça e não disse nada.

"Nós precisamos conversar, Albert" Mark disse, abaixando o volume da tv.

"Sobre o quê?" Albert perguntou assustado. "Você vai terminar comigo? Diga-me o que é logo!"

Mark respirou fundo e olhou para seu namorado em estado de choque. 

"Não! Quer dizer, talvez ..." disse com um sorriso atrevido. 

"O quê?" a voz de Albert ficou trêmula, o que foi muito cômico e novo para Mark. 

"Ok, primeiro acalme-se homem" mais uma vez o sorriso atrevido.

"Como posso me acalmar se meu namorado está acabando comigo agora" gritou, respirando fundo. 

"Me deixa terminar, por favor?"  revirou os olhos e continuou: "Eu só estou tentando dizer que você realmente precisa fazer a barba!", disse ele seco e direto. 

"Então, você não vai terminar comigo?" Albert soltou um longo suspiro. 

"Não, é claro que eu não vou! Eu não vou te beijar, até esta coisa..." apontou para barba de Albert "...sair de seu rosto!" 

"Credo! Você nunca reclamou nada sobre isso. Então, o que há de errado com a minha barba?" agora foi a vez de Mark suspirar. 

"Você parece um mendigo!"  deixou escapar. 

Por um tempo, eles simplesmente ficaram em silêncio. Mark estava prestes a dizer mais besteiras, mas Albert apenas levantou-se e foi até o banheiro, batendo a porta. Mark ficou no sofá e esperou.

"Beije-me" Albert pediu, uma vez que a barba tinha sido aparada. 

"Sim, eu adoraria"  disse espantado, e inclinou-se para beijar seu namorado agora muito mais bonito. 

"É estranho sem ela" disse passando a mão para cima e para baixo no seu rosto agora sem barba. 

"Eu acho. Mas você parece muito mais sexy, sem ela, você sabe disso?" disse impertinente. 

"Obrigado. Mas você é muito mais sexy do que eu, agora, nestes jeans apertado." 

Novamente Albert inclinou-se e beijou, mas desta vez com mais paixão e fogo, ao mesmo tempo doce e calmo.

 "Eu te amo"  respirou entre beijos. 

"Eu também te amo" disse Albert.

sábado, 21 de outubro de 2017

“O amor não é amado, é amando"


Série "Diálogos na varanda"
E aí, que me diz agora?
- Poxa meu amigo, realmente vivemos algo muito especial.
É mesmo?
- Claro, eu não imaginei que seria assim, tão tranqüilo.
Por que diz isso? Não entendo.
- Sei lá. A ansiedade era muito grande. E talvez por isso minha cabeça girava muito. Eu estava quase delirando.
- Percebi isso, por isso fiz questão de conversar.
- É, foi muito bom mesmo conversar, tirar algumas dúvidas.
- Ou colocar outras mais.
- Mas, foi bom mesmo assim. E como foi! Não acreditava, sinceramente, que o amor pudesse ter esta forma.
- Que forma?
- Ágape.
- Hum... Viu, não foi Eros não?
- Realmente não sei.
- E agora, como você está?
- Tranqüilo. Muito tranqüilo, eu acho.
- Viu, falei pra você confiar em mim.
- Você sabe que sou assim, cheio de minhas dúvidas. De meus delírios. Idéias que passam pela minha cabeça. Coisa de gente que não tem o que fazer.
- Mais certezas ou dúvidas agora?
-Agora? É...
- Hum...
- Dois. Ganhei, hehe!
- Bobo, não fuja da pergunta, responda.
- As duas coisas. Algumas certezas mais e algumas dúvidas mais.
- Como assim?
- Nesta minha vivência, aconteceram muitas coisas que me deram várias certezas, e outras também que me geraram novas dúvidas.
- Você e suas dúvidas.
- "Esse cara sou eu". Hehe!
-Não agüento mais esta música.
- E quem agüenta? Hehe!
- Quer falar sobre estas dúvidas e certezas?
- Neste momento não.
- Por quê?
- Deixe meu cérebro e meu coração assimilar melhor tudo isso aí, depois de digerido toda esta confusão paradoxal, podemos voltar a conversar sobre.
- Tudo bem.
- Só quero te dizer que tudo isso reforça a frase do Chiquinho?
- "Chiquinho"? Quem é este?
- São Francisco de Assis!
- Ah sim, eu sei qual a frase.
- Aquela mesmo: “O amor não é amado. Mas é amando."

sábado, 14 de outubro de 2017

Se não há começo, não há fim


"Eu penso: o tempo não passa. Eu sinto: será que eu me perdi no tempo?"

Realidade. Sempre tive sonhos e pesadelos excêntricos, é algo que nunca pude controlar. Sonhos excêntricos de caráter extraordinário, em constante mudança e vivacidade. Algo que realmente não posso controlar. Acordo no meio da noite - ou seria dia? - e não sei se estou sonhando acordado ou se estou vivendo sonhando.

Você já se sentiu sozinho no mundo? Claro que já, impossível a solidão não vir bater a sua alma. A solidão parece uma sombra do luar ou apenas mais um quadro com uma foto velha e nostálgica esquecido na parede. Você já esteve com muito medo de olhar para fora da janela, naquela tarde quente e alaranjada? Eu já.  Eu já tive muito medo de verificar se agora era realmente amanhã ou era hoje. Eu tive muito medo de ver se o que acontecera, realmente era real ou se era mais um sonho daqueles. 

Repetidas e incansáveis vezes acordei com uma tristeza dolorosa, tão impregnada em minh'alma e em meu peito,  que nada podia fazer fazer. Reiteradas manhãs acordei com um medo angustiante rasgando a minha pele, tão cansada de angústia, e não havia nada que eu pudesse fazer. 

Nos meus sonhos, sempre houve um lugar que eu desejava estar. E, quando finalmente chegava lá, ou eu já não era mais bem-vindo ali ou eu me cansava em segundos e queria ir embora pra outro lugar. Triste sina dos ansiosos, angustiados, melancólicos, depressivos e fracassados.

Depois de muito tempo perdido entre sonhos, realidades, vidas e pesadelos, houve uma coisa que eu aprendi: "sei que estou aqui e isso é a realidade". E há uma coisa que eu posso dizer a você, que me assusta e me acalma a alma: "a realidade é que eu o amo". E sempre soube o que eu estava fazendo, é claro que eu soube. Isso tudo só significa que vou me machucar, sempre tentando encontrar uma maneira de fazer-nos consertar.

Eu só não quero,  realmente eu não quero que isso acabe. Penso, me canso de pensar: "Até quando suportarei esta disforia monstruosa em minha vida, aquela que consome minh´alma?" 

Se não há começo, não há fim.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A vida é um sopro


Eu queria que você estivesse deitado aqui do meu lado. Queria você aqui para sentir o seu calor, para me dar um toque macio e confortável que só você sabe dar. Para ouvir seu coração bater suave sob a sua pele macia. Eu não consigo pensar em nada mais reconfortante que a sua respiração. 

Toda noite sonho que sou capturado por seus brilhantes e amorosos olhos e me perco no pensamento deste sentimento que poderia durar para sempre. Como eu desejo que você estivesse perto. Mas, eu estou aqui sozinho. Em uma cama que parece muito grande, debaixo de cobertas que parecem tão frias, aquecidas por nada mais do que uma casca de um menino apaixonado querendo reconectar todas as peças de nossos corações divididos, adoecidos e frios. 

Eu me pergunto se  pensa em mim também. Se você tem medo de me perder para sempre. Se  me quer lá com você todos os dias ao amanhecer. Há um tempo, eu via você estar deitado na cama dormindo profundamente, em paz, e isso já era suficiente para acalentar minha alma. Eu, excessivamente, penso em você. Estou com saudades. Eu quero você aqui. Embora, eu não estarei mais aqui em breve. 

Meus olhos estão ficando pesados ​​e meu corpo está desintegrando. Me sinto à deriva, em um sono profundo o suficiente para nunca mais vê-lo novamente. Somente nos meus sonhos. Nos sonhos onde nunca precisamos  dizer adeus. Nos sonhos, onde você está sempre deitado aqui do meu lado. Em um sonho em que você não é apenas uma foto na parede.

domingo, 24 de setembro de 2017

Minhas manhãs de desespero

Foto: Eder Schütz
Desespero.

Eu me pergunto quantos dias ainda vou aguentar me sentindo perdido. Pensando em onde meu desespero me fara chegar. E os dias vão passando e eu não chego a lugar nenhum.

Todas as manhãs abro os olhos e vejo as mesmas quatro paredes brancas. Eu poderia pintá-las de cores diferentes, mas  sei que elas ainda serão as mesmas. "E se eu começar a fingir? Me convencer de que sou feliz?" Nada vai mudar eu sei, mas já é um progresso. 

Sou sufocado pelos meus pensamentos que repetem incansavelvente que as coisas podem ficar piores ainda quando eu encarar a realidade e descobrir que já "eras uma vez", não tem como mudar meu destino. Pronto. Acabou. Me ferrei e sou totalmente culpado por isso. E então eu acordarei e perceberei, que cuspi no ventilador. E a vida mudou para sempre. Só me resta ficar deitado o dia todo.

De repente, você é forçado a fazer coisas que você jamais faria. Tipo de coisas que só te trazem dor e rancor. Coisas que te fazem vomitar de remorso. E descobre que, depois de tanto chorar, você esta sozinho. Descobre que isso seria a única coisa que jamais poderia ter acontecido.  Não tem como aceitar este destino, ele é desprezível e vergonhoso. O medo, o remorso e a vergonha é tão grande que você luta para não aceitar que isso aconteceu na sua vida. É difícil dar o primeiro passo na aceitação. É difícil tentar convencer a si mesmo que não tem mais volta. Mas se não fizer isso, vai ficar na mesma. Para todo o sempre. 

Acho que estou doente por não conseguir aceitar meu destino.