sábado, 10 de fevereiro de 2018

Pouca palavra pra muito sentimento

Um dia desses, uma pessoa que conheço há pouco tempo, chegou em mim, colocou a mão sobre meu ombro e olhando nos meus olhos me perguntou:

-"Mark, que foi que aconteceu, hein? Quando te conheci você não era assim!".

Olhei nos olhos dela, baixei a cabeça e suspirei.

-"Eu estou maravilhosamente bem, sempre!"

Ela sorriu com um ar desconfiado e sentindo o desespero pulsar no meu  peito, me abraçou. 

-"Saiba que, se precisar desabafar, eu estou aqui."

Não queria. Tentei resistir, no entanto aquela velha lágrima de angustia e tristeza insistiu em cair dos meus olhos.

-"Se você quer mesmo saber, eu estou passando por um momento bem difícil em minha vida. É um momento em que as coisas ao meu redor parecem ter perdido o sentido e entrei num profundo processo de auto questionamento. Aqueles valores, crenças e condutas que até então eram válidos já não são mais e, ao mesmo tempo, não consigo reformulá-los. A falta de referências seguras nesse momento de desconstrução e reconstrução interior é sentida por mim como um ‘vazio dolorido’ ou um ‘caos interior’. Mas amiga, embora isso cause muito sofrimento, eu sei que este é um momento precioso da minha vida por ser uma época de virada e superação. Eu preciso vencer e superar isso. Eu preciso. Eu tenho que..." 

Não saiu mais nada, um nó me sufocava a garganta. Trêmulo dos pés a cabeça, abracei-a ainda mais forte. Choramos juntos, nos abraçamos novamente, olhamos uma para o outro com um sorriso de quem entende a dor que há no outro. Colocamos novamente nossas máscaras e voltamos a sorrir para quem ali passava.

sábado, 27 de janeiro de 2018

"Palavras de uma dona Maria" - Parte II

Amanheci com saudades de minha mãe.

"-Mãe, eu sou o que?

-"Mark, você é MEU filho! É só o que importa."

-"Mas mãe, eu serei assim para sempre. Isso esta dentro de mim e eu não posso mudar. O que você acha que vai acontecer comigo?"

-"Eu não sei o que vai te acontecer filho. Mas isso não determina quem você é hoje, ou quem você vai ser no futuro. Você faz suas próprias escolhas. Exceto lavar a louça. Você vai lavar sim, e não tem escolha!"

-"Tá!"

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Crises n'alma

Pensando na crise do Brasil, percebi que eu também estou em crise. 

Crise sobre a felicidade ou a ausência dela. Crise sobre as expectativas, sobre "o que virá quando acabar o vazio e começar a vir coisas demais?" Crise sobre o equilíbrio ou sobre a falta dele. Crise sem razão de ter ou ser. 

Percebo que não me resta mais nada a fazer, a não ser ter crises. A não ser pensar. Pensar. Pensar, sentir os pensamentos. Pensar e chorar. Chorar, se for o caso. Chorar, sentir as lágrimas e pensar os sentimentos. Ser frio, se for o caso. Não é o caso. Não era pra ser o caso. Foi o caso.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

"Preciso me sentir vivo novamente"


"Estar vivo é uma coisa. Sentir a vida é outra coisa bem diferente."
(autor desconhecido)


Ted: "O que eu posso fazer para mudar sua vida?"

Mark: "Ore. Ore para os meus dias voltarem a ter sentido. Pra eu sentir vontade de falar. Para eu voltar a sorrir verdadeiramente. Para eu comer e não sentir aquele vazio que não é fome. Para eu voltar a sentir prazer em ouvir minhas músicas. Para eu continuar planejando meu futuro. Para eu alimentar o desejo de querer te ver. Para que esta ansiedade angustiante desapareça da minha vida tão rápida quanto como chegou. Ore para minha vida voltar a ter sentido. Eu só quero me sentir vivo. Será que isso é pedir muito a Deus?"

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O sonho do anjo

Ele chegou de mansinho, sentou-se na beirada da cama e, inicialmente, só observou.  Estou ali deitado, dormindo. Depois de um dia nada fácil as dores foram tamanhas que o corpo e a mente não aguentaram. Geralmente não gosto de tomar remédios por conta própria, mas desta vez não teve jeito. A dor era tão aguda e intensa que eu não conseguia, ou não queria, ficar consciente. 

Tomei alguns comprimidos para as dores, me dirigi ao quarto, acendi uma vela e orei. Com os olhos quase fechados, repeti novamente a invocação ao Anjo da Guarda e me deitei. Dormi. 

Inicialmente me debati muito, mas aos poucos fui serenando. Logo estava dormindo tranquilamente, apesar da febre ainda rondar meu corpo. E ele estava ali. 

Olhou-me por alguns minutos e, então, chegou mais perto da cabeceira e começou a tocar minha fronte, mexendo em meus cabelos. Uma força emanava dele. Uma energia tranquilizadora e benfazeja emanava das suas mãos. Ali, de olhos fechados, e sua mão percorria vagarosa e carinhosamente os cabelos, o pescoço, o rosto e a fronte. Ficou nesse carinho por um bom tempo, o necessário. Até que ele ouviu um ruído, abriu os olhos e olhou para a direção do ruído: era a porta de entrada do quarto. 

Ela estava ali também, em pé com o ombro encostado no batente da porta e a cabeça levemente inclinada, observando. Ele não a conheceu pessoalmente, mas sabe muito bem quem era ela. Fez menção de se levantar, mas ela indicou com um gesto de não, que continue sentado.

- "Eu fiz a minha parte quando estive aí, e daqui faço o que posso. Agora é a sua vez de cuidar dele, de o ajudar, mesmo de longe."
- "Mas..." -  ia falar porém o nó na garganta não deixou.
- "Ele confia em você e sabe que você pode e vai ajudá-lo. E eu também confio. E sei que..."
- "Como?" - outra vez sem fala. Agora as lágrimas também embaçaram seu olhar. Sentiu o toque suave das mãos, uma em seu ombro e outra na cabeça.
- "Confie em você, confie nele. Eu confio e ajudo os dois, eu te peço."

Acordei. A sensação foi de paz e benção. Tranquilidade serena. Abri os olhos assustado. Tentei me localizar. O coração batendo acelerado, o corpo trêmulo e o suor sem febre. Tentei me acalmar. Foi só um sonho. Novamente aquele sonho.
Por Celso Marczal, o anjo Gabriel.