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sábado, 13 de abril de 2019

"Despedidas"

Meu querido Mark,

Estas não serão minhas últimas palavras a você. Escrevo com a dor de quem também está sofrendo com toda esta situação. 

Há muitas coisas que não foram ditas por nós, você não disse a mim e eu também não disse a você. Queria muito, mas muito mesmo que tudo fosse diferente. Mas não foi. Está sendo muito doloroso partir assim e deixar você sozinho. Enumerar as razões nem precisarei, pois sabes o quanto te amo, mas sei que a minha presença tem se tornado insuportável a você. Não pense que não estou sentindo o mesmo, pois para mim também se tornou insuportável estar contigo.

Há momentos em que olho para ti e vejo em seu rosto um sorriso, (por mais que você diga que está fingindo, que não é verdadeiro) me vem na cabeça lembranças e momentos que você já passou, e sabe o que meus pensamentos me fazem perceber? Percebo o quanto você poderia estar sendo feliz e o quanto já sentiu esta felicidade e que de uma forma imperdoável, me pus em seu caminho e a corrompi. Outro dia ao vê-lo dançando a rodopias pelo salão, ao som de músicas que embalavam seu corpo e que marcava a presença de um homem lindo e maravilhoso e feliz, que não pensava em mais nada a não ser viver a vida, meu coração doía por saber que eu interrompi esta alegria de viver. Com meu gesto egoísta e sem respeitar a sua vida, acabei cometendo o erro mais grave de toda a minha vida.  E hoje me vejo numa situação em que não encontro saída, palavras, gestos ou qualquer coisa deste mundo que me faça sentir perdoado por este ato infame. Não consigo mais encarar a qualquer que seja, quem seja, sem me sentir impotente, fraco e incapaz de fazer algo que possa mudar isso. 

Mark, meu eterno amor, nunca desejei, planejei ou tive esta intencionalidade de te fazer este mal. Acredite! Estava perdido num caminho onde nem eu sabia aonde ia, se queria chegar a algum lugar ou o que fazer de minha vida. Quando te conheci e de você recebi carinho, atenção, amor, senti minha alma renovar e meu coração começou a bater novamente, por ti. Não como um vento que acalenta o rosto, mas com o ar que é essencial para respirar, viver e querer continuar vivendo para todo o sempre. Mas em minhas fraquezas, medos e angustias, acabei por cometer este erro, que com certeza absoluta será o meu pesar pelo que resta de minha vida. E sabes de uma coisa? Doe muito ainda ouvir de você, que ainda me ama. Como queria que não me amasse mais, me odiasse, assim ficaria mais fácil, entende? Mas não, como castigo tenho alguém que me ama, mas não pode me ver, me tocar e nem sequer ouvir a minha voz e mesmo assim ainda se preocupa com "o que será deste cara?", se vai sofrer, será que vai ficar bem?  Ironia da vida não é? Alguém me ama e não podemos ficar juntos.

Mas o importante realmente é o que quero dizer aqui: Por mais difícil que esteja sua vida agora, tenho a convicção em Deus que você encontrará seu caminho. Um caminho de sonhos realizados, de planos a serem alcançados e muitas coisas que você já sonhou e que agora estão meio que esquecidos, (por hora). Você retomará sua vida, tenho plena certeza disso, e vai ser em plenitude como você merece e esta prometido a você. Creia que Deus está olhando por você. Seus sonhos estão ai, a vida esta ao seu redor, a força que você procura esta em você, pois Deus vive em você. 

Meu lindo menino homem. Meu lindo homem menino. Estas não são as últimas palavras que escreverei a você. E nunca se esqueça: Jamais te esquecerei, e um dia poderemos conversar como sempre conversamos. Meu carinho por você, meu amor por você só cresce a cada dia, a cada instante, em cada pensamento meu você esta presente e a cada momento que fico sem te ver sempre me tortura e aflige, mas respeitarei sempre suas decisões e seus desejos. E quando tudo isso for apenas uma nuvem distante que passou, espero (em Deus) o seu perdão (primeiro a você mesmo) e quando seu coração permitir estarei aguardando ouvir de você o que me fará retomar a minha vida, até la então, retome a sua vida, viva intensamente e nunca perca a esperança e a fé em dias melhores. 

Te amando sempre, adeus.

sábado, 24 de novembro de 2018

"Os desaparecimentos diários"

Das crônicas "Viagens de Um Menino Voador"

"Já faz alguns anos que eu não quero desaparecer. Apenas anseio em fugir de tudo e não olhar mais para trás. Não obstante, quanto mais eu tento esquecer mais continuo preso no passado. Vivo vomitando a minha ansiedade pelos cantos.

Todas as manhãs levanto trêmulo e com aquela velha vontade de vomitar. Ando cambaleando em direção ao banheiro, olho para as minhas olheiras no espelho, respiro fundo. Tenho a impressão de estar desaparecendo:

- "Está tudo bem Mark. Você vai ficar bem. Apenas respire. Respire e lembre-se de todas as vezes que você sentiu este medo. De todas as vezes que ficou ansioso e  sobrecarregado de tristeza e ódio. De todas as vezes que você sentiu este nível devastador de dor e desespero. E lembre-se também de todas as vezes que você perdeu o controle e acordou três dias depois sem saber onde estava e com um tubo de carvão na garganta. E apesar de tantas agulhas, corredores iluminados de hospitais, ampolas e cápsulas, você ainda esta em pé. Lembre-se, e tenha calma."
  
É, a vida tem me preparado muitas surpresas desagradáveis, e apesar de quão difícil  têm sido, eu sobrevivo sempre. Respiro fundo e confio de que tudo poderá melhorar a qualquer momento. Acredito que esta luta é parte de um longo e doloroso processo. E tenho certeza que, enquanto eu não desistir e continuar a me empurrar para a frente, não importa como as coisas parecem estar sem esperança, eu vou superar isso.

Claro, tem dias que o desespero é tão grande que tenho dúvidas se vou vencer esta luta, no entanto, de uma coisa eu tenho certeza: eu nunca vou desistir."

terça-feira, 4 de setembro de 2018

"Como se fosse"

É fato, o mundo se divide sim, entre aqueles que sabem e os que não sabem que existe diferença entre "mas" e "mais".

"Como se fosse"
Como se o mundo fosse realmente feito apenas de lágrimas e sorrisos, anonimatos e visibilidades ou de mansões e baixo-de-pontes.  E, como se o ser humano não fosse capaz do mínimo e do máximo, do melhor ao pior nos extremos de seu paradoxo constante, com suas incongruências de ser e estar, de viver e existir. 

Como se escapasse de si e só voltasse a cada dor e prazer, e apenas nesses momentos. Como se espetasse o dedo com agulhas dos sentidos para sentir-se vivo. Não obstante as ausências, convivendo com todas as mentiras e principalmente as verdades, que doem com muito maior intensidade de que qualquer mentira, nos espetando a alma e nos fazendo sentir vivos e ainda mortos ao mesmo tempo.

Como se fosse. Como se, ainda fossemos, sendo."

sábado, 7 de abril de 2018

"Animal - um ser irracional e feliz"

"Não precisarei sentir. Pelo menos não os sentimentos humanos. Estes são tão ruins. Vejo destruindo-os aos pouquinhos. Eu não suportaria tanta dor e sofrimento, que estes causam a si mesmo.

Como podem ainda ter forças para erguer a cabeça todos os dias pela manhã?

É tanta agonia, é tanta ansiedade e palavras destrutivas que se alimentam de suas mentes e corpos. Sinto calafrios na espinha só de pensar sobre isso. 

Eu, ainda que não seja, prefiro ser chamado de animal - um ser irracional e feliz."

sábado, 6 de janeiro de 2018

"Amanhã é um novo dia"


É incrível. Quando nós estamos bem as provações aparecem e nos tiram do sossego que tínhamos achado ter construído, destruindo assim, todo nosso equilíbrio físico e mental. 

Quem nunca sentiu um calor exagerado e dolorido, que de repente te pega, te cega, te despedaça, e muda seus olhos - e alma - de cor? É disso que venho falar hoje. Desses sentimentos destruidores dos lares das almas. Lares do amor, lares do bem-querer. Aquele lado calmo, florido, cheiroso e sereno dentro de nós.

A raiva da qual senti - numa mistura heterogênea com outros sentimentos  e que vieram em minha direção como uma chuva de flechas envenenadas - me derrubou e levou consigo tudo aquilo que venho trabalhando a pulsos firmes e disciplinados para conquistar. Me tirou de mim, do meu eu. Foi uma sensação de perda total do controle da minha vida. Aquele momento latente de coração acelerado, sudorese intensa e ininterrupta, pele quente como água em ebulição, garganta cerrada e trêmula, e um brilho fosco no olhar, de como quem quer chorar mas as lágrimas não se dão por vencidas. Brilho e pupilas dilatadas de medo. Um nó que ao tentar engolir  só voltava refluxos amargos de desesperança. Uma experiência da qual, outrora, tive um ótimo autocontrole em não lançar palavras agressoras a quem estivesse por perto. Consegui manter a calma, pelo menos na aparência. Não alimentei e nem dei o braço a torcer para esta nada sublime negatividade. 

Agora, passado um pouco desse turbilhão de horrores nada prazerosos, tenho o corpo mole e enfraquecido. Um corpo trêmulo e uma mente confusa. Sensação de como tivesse acabado de sair de um campo de batalha e perdido a guerra para mim mesmo. No entanto, por hoje tiro o melhor.  Algo mudou dentro de mim, ou algo eu evitei e o mal não suportarei mais. São testes e são necessários serem vividos e sentidos. Amanhã é um novo dia. Mesmo que seja de um sofrimento maior que o de hoje. 

Como diz minha própria mente numa atitude de me autoajudar: "não há nada de ruim que não possa piorar. Sossega o facho então."

E minha viagem para o sul esta para acontecer.

sábado, 27 de maio de 2017

Sobre amor utópico

Numa conversa com um velho amigo, senti vontade de dividir com ele um mundo utópico criado - imaginado, inventado - por mim. Na verdade não passa de um desejo que, quando apresentado, logo de cara nota-se que jamais será humanamente possível de ser real ou um dia acontecer. Bem, para você entender do que realmente estou falando irei transcrever aqui alguns trechos de nossa conversa. Não foi bem com estas palavras, mas adaptarei para que seja entendida por todos:

Mark: "As pessoas precisam uma das outras para que as completem". Assim iniciei a conversa mais dramática da minha vida. "Eu busco alguém para dividir  coisas simples, como comer pipoca e ver um filme bobo -  drama ou terror. O importante é estar junto com alguém que seja desejado, não é? Falar de teorias e conspirações ou simplesmente sair na rua para ver e comentar sobre os homens bonitos que passam pela gente. Um alguém para dividir o que realmente estou sentindo. Sem mascaras e sem frescuras. Nossa, como eu queria isso!"

Amigo: "É Mark, eu também. Mas eu não encontro. Parece que ninguém me quer. Por isso muitas vezes me sinto sozinho e triste, e dói muito isso, sabia? Poxa, é demais pedir apenas uma pessoa para me amar de verdade?"

Mark: "Eu sei. Imagino que esta dor seja terrível mesmo. Destrói nossas almas - e corpos - silenciosamente. Mas amigo, andei pensando muito sobre isso. Um dia desejei uma besteira, daquelas bem boba mesmo. Queria que fosse possível isso: Já imaginou se Deus - ou uma força maior - nos desse um dom de curar a pessoa que a gente mais ama? Não me refiro a uma dor física, mas falo sobre as dores psicológicas ou espirituais que a solidão nos causam. Aquelas dores frias que a falta de alguém para amar nos trazem. Seria demais, não é? Mas, sei que isso é impossível, apenas uma utopia infantil e idiota. Boba e perfeita."

Amigo: "Nossa, e se isso fosse possível? Chego acreditar que é possível sim. Deus - ou esta sua força superior - nos deu este dom de curar as pessoas. E com uma coisa que já conhecemos - menos eu - e chama-se: "amor". Este sim é capaz de curar as pessoas."

Mark: "Meu amigo, já conversei sobre este "desejo" com muitas outras pessoas e a resposta é unânime: "ah,o amor é capaz de curar nossas dores espirituais e psicológicas; Ah, o amor isso, o amor aquilo... E segue comentários sobre o amor iguaizinhos aos contos de fadas."

Amigo: "Poxa vida. É mesmo?"

No final daquela tarde fria, alaranjada e melancólica, novamente me tranquei em meu quarto. "Uau, quantas certezas sobre o amor eu tenho. Devia ter orgulho de mim mesmo."  Mas não tenho, nem um pouco.

Depois desta conversa, comecei a me analisar profundamente. Eu sou um grande mentiroso. Um dissimulado de primeira linha. Cheio de dúvidas e frustrações. Será que o amor é mesmo um dom especial? Será que o ser humano esta tão insensível ou despreocupado - ou ocupado com outras coisas - que não consegue perceber isso?  Será que todos um dia irão encontrar o verdadeiro amor, aquele sem utopias e finais felizes? Afinal de contas, o que é e para que serve o amor?

Fracassado, eu já estou cansado de todo este blah, blah, blah romântico!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Será insônia ou saudade?

“La tristesse durera toujours” [Vincent Van Gogh]

"As vezes, só as vezes mesmo, fico mentalmente me perguntando: 
"quantas pessoas tem este ódio especial pela noite?" 
Ódio. Sim meus senhores, ódio pela noite. Não é medo do escuro não, é apenas pelo simples fato de não conseguir dormir em paz.  
Irremediavelmente, vão surgindo mais e mais perguntas: 
"será que o tal barulho na cabeça tem o mesmo som, mesma frequência ou motivo? Ou será que esta dor mental varia de pessoa pra pessoa?" 
Penso. Penso alto. Tento imaginar alguma coisa triste para chorar e aliviar a dor na alma. Fracasso novamente. Entro em síncrese total com os pensamentos. Depois de horas - ou minutos, não sei - canso de pensar. Mas não de ouvir e sentir o barulho. Exaurido, minha dor meço e, às vezes, adormeço. Afinal, amanhã é outro dia, mesmo que com as mesmas dores de ontem. 

sábado, 11 de junho de 2016

"Menino, você tem medo de quê?"

A pergunta pairou no ar deixando-me fora do corpo. Era como se a espada do meu inimigo me acertasse em cheio. Eu olhei para as minhas mãos ensanguentadas e, em seguida, apenas disse:

-"Alguma vez você já sentiu uma dor aqui? Sabe, um vazio no estomago que não é fome?  Uma dor na alma, talvez?"

Eu fui feliz. Mas um dia meu coração doeu tanto que todos meus orgãos pararam de funcionar gradativamente. Porque? Não sei. Simplesmente perdi as forças de continuar vivendo.

-"Mas, como assim menino? Você vivia dizendo que tinha medo da morte! O que aconteceu para mudar assim, tão repentinamente?"

Pergunta repetida merece uma resposta. Mas em vez disso, caí no chão e quis desaparecer.  Minhas mãos trêmulas foram sumindo junto com a tinta vermelha-azul do meu sangue. Minha pele parecia  que ia rasgar a qualquer momento.

-" Não faça escândalo, olhe-se no espelho. Você já não é mais menino. Este não é seu fim. Você vai ficar bem!"

Estou cansado deste mundo cinzento e melancólico. Exaurido pela dor física e mental que me consome todos os dias. Estou exausto de ouvir a maldita voz que ecoa em meus ouvidos me condenando a morte solitária sem dó nem piedade. Eu já não posso mais esconder meus segredos debaixo do meu travesseiro. A única coisa que ainda escondo no meu travesseiro são as manchas das lágrimas e as noites assombradas e mal dormidas. Segredos muito bem guardados, para que ninguém possa ver que eu estou com dor e choro as vezes.

-"Mas menino, mesmo depois de se tornar este homem barbado, eu custo acreditar que, ainda, você tem medo da morte. É isso mesmo? Você tem medo de morrer?"

Claro que eu tenho. Sempre tive e sempre terei. Mas, no meu caminho acabei descobrindo que existem dois tipos de pessoas que não temem a morte. Elas não sorriem, não choram, não fazem a menor sugestão de emitir algum tipo som e não demonstram nenhum sentimento. Elas não se movem e nem tentam se proteger. Elas praticamente nem existem e mesmo assim a morte sempre ronda as suas cabeças.

-"E quem são essas pessoas?"

Os corajosos, que temem tanto - mas tanto - a morte a ponto de enfrentá-la; e os doentes, que suplicam por ela, mas ela não os agracia com sua presença.

-"E você, tem medo de quê?"