sexta-feira, 20 de maio de 2016

Minha mãe me disse antes do soninho

 "-Filho,  a mãe te ama muito. Você vai se tornar um homem maravilhoso. Honesto, educado, honrado, inteligente. Quero que seja um bom homem e que saiba que o que importa para as pessoas é o respeito e  amor incondicional pelas coisas que o cercam. Se quiser ser verdadeiramente amado, respeite a todos sem olhar a sua cor, o seu status social ou orientações e caminhos seguidos pelas suas escolhas. O amor é o maior segredo para o humanidade viver em paz."

Minha mãe dizia isso no meu ouvido quando eu era apenas um bebê. Com as suas palavras e de um jeito simples, mas ela me disse e eu aprendi. Hoje, já homem, tenho medo daqueles pobres coitados que suas mães não lhes contaram este segredo. Daqueles que ainda não sabem fazer o bem. Daqueles que nem mesmo conseguem ser educados ou honestos. Daqueles que dormiram muito rápido bem no momento que suas mães lhes contavam este segredo nos seus ouvidos antes do soninho.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sou o que eu visto

"Depois que acalmou um pouco a chuva, resolvi dar uma caminhada e ir até o supermercado. Coloquei uma mochila com um guarda-chuva nas costas e saí. Andei pelas ruas da cidade me sentindo sozinho, nada diferente dos meus últimos anos de vida. A verdade é que a sensação de estar só no mundo é assustadora e corrói a alma aos pouquinhos.

Quando estava no meio do caminho, um carro parou e encostou. O motorista me fez um sinal para chegar mais perto. Olhei para os lados para ter certeza que era eu quem ele chamava. Tirei meu fone de ouvido e me aproximei do carro.

-"Viu, véi você mora aqui mesmo nesta cidade?"

-"Sim, moro."

-"Então, eu moro na cidade vizinha e vim aqui procurar uma verdinha. Você por acaso você não vende?"

-"Verdinha?" 

Sim, eu sabia que era cannabis, no entanto naturalmente fingi que não entendia sobre o que o sujeito estava falando.

-"Não sei não moço."

-"Pois é, tô a procura faz dias. Lá na minha cidade também está em falta!"

-"Pois é véi, desculpe não poder ajudar."

-"Tranquilo, tranquilo. Eu vou dar uns rolê na cidade ver se acho alguma coisa."

Coloquei meus fones e saí com passos largos em direção ao supermercado. Uma coisa não me saía da cabeça: "O que levou o tal sujeito parar o carro na rua e pedir justamente se eu vendia drogas?" Poderia  haver muitos fatores para eu ser confundido com um traficante naquele momento?" 

Não. Definitivamente não. Porém, cheguei a conclusão que ele só me parou na rua por um único motivo: A roupa que eu estava usando naquele momento. Então, em um profundo momento de devaneio, tentei imaginar como um possível traficante se veste.

Percebi assim, que acabamos sendo o que não somos pela forma que nos vestimos. Garanto que a maioria de vocês entenderam o que quero dizer.

Fica aqui mais um relato - mesmo sabendo que ninguém se importa - e quero apenas reforçar a constatação de que você é logo julgado pela roupa que usa antes mesmo de abrir sua boca para dizer quem realmente é."

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

"Feliz aniversário, Mark!"

Enfeite solitário.
Embora, esteja só começando minha caminhada pela vida, eu estou tão cansado que esse começo tem vestígios de fim. É como a mudança rápida e dramática da cor viva de um camaleão, perdendo o lúdico, a fé e a esperança. O acumulo paradoxo nos 26 anos de idade, sem culpa nem remorso. São muitos personagens no inconsciente turvo do dia em desatino; eu sou como um conjunto de livros guardados na gaveta de um armário, esquecido há tempo. Eu trabalho o cansaço que tenho na ideia, na constante chuva fina que cai sobre os meus ombros. Eu estou mais encharcado como nunca fiquei estado antes. É a vida em seu ensaio rustico fodendo os meios cognatos.

O sono dos dias provocando ruídos, eu não sei se sinto ou se ouço essa música gravada somente na memória dura dos meus medos. A cor ainda rubra das cicatrizes marcadas na minha pele crua – nula – gritando o alfabeto da minha alma nua. Tudo é como um rio que passa no seu sentido peregrino coletando sonhos, que é a crença inventada do sono. Curtindo solenemente a investida do tempo, sussurro os verbos recorrentes a essa caminhada enfastiada de prosa, e sedenta pelo alivio da chegada. Eu tenho razão eu estou cheio de razão, e a razão é uma flor nascida clandestina em meu peito fechado e esquecido. A pétala superior da consciência guardada em meu leito celeste, seu aroma semeia um perfume angelical, um perfume vernal, que preenche a aurora do meu jardim juvenil. A flor é a estação universal do meu corpo.

Mesmo que eu esteja só começando a rotina dos meus dias, a mão pesada da realidade cai sobre minha cabeça, e nesses dias sem consolo, tudo vai perdendo o encanto no fundo dos meus olhos entreabertos – pesados – por conta do delírio contínuo que trago comigo. Eu estou concentrado na sobrevivência. Eu estou indo de encontro ao futuro esticado em um horizonte marcado para ter um fim. E por falar em fim, eu termino aqui o fado entediado de enfeitar aniversários.

Feliz aniversário, Mark!
®Thiago França Bento.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"senta aqui"

vem cá. isso. senta. não, não vou falar de novo que tô com saudade e que gostava tanto de conversar contigo. você sabe dessas coisas. já te falei. já te escrevi. só senta, vai. quer beber algo? vou tomar café e já vou pedir uma cerveja pra você. tudo bem, volta de táxi pra casa. a cerveja tá boa, não é? agora olha pra mim. não, não fala nada. olha. sabe que eu gostei de você, né? do teu papo. do teu jeito.  tá desviando o olhar por que? não consegue me olhar? te fiz algo? shh… não, não fala. tá querendo ir pra rua acender um cigarro, não é? termina a cerveja. tá me olhando ainda? a mesa ao lado te parece mais interessante? olha pra mim. continua olhando. vou pedir outra cerveja. shh… tudo bem! não. senta de novo. eu me levanto primeiro. você termina esse ultimo gole do copo. vou entrar em outro bar qualquer. você sai, fuma seu cigarro e entra em outro bar qualquer. se for o mesmo que o meu, ou foge, ou fica. se for outro, a nossa noite segue no quarto de outra pessoa. não, ainda não. não vou levantar agora. deixa eu te olhar mais um pouco. chega mais perto. deixa eu tentar te enxergar por dentro e te entender. deixa eu ver o que talvez não veja mais. tá. vou levantar. será que agora? não precisamos seguir o roteiro que eu falei. quando eu levantar pode segurar meu braço, se quiser. shhh… não faz essa cara de deboche. tá. agora eu vou. mas se quiser pode ir primeiro. não, vamos os dois juntos. ainda não. só vou no banheiro e já volto. se quiser, fica.
Karen Becker, readaptação.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

"Há coisas que não podem ser ensinadas"

Lógicas da vida
"Se você acha que a ignorância não pode ser derrotada, não está se esforçando o suficiente. Se acha que nada é eterno, então você nunca sentiu o verdadeiro amor. Se você quer que eu o ajude, digo-lhe para ajudar a si mesmo. 
Pensa que sou egoísta ? Não. Simplesmente há algumas coisas que eu não posso dizer  nem a mim mesmo, muito menos a você. Você vive, aprende e tem que viver todas essas descobertas sozinho. 
Empirismo é a única maneira de entender como um rouxinol canta. Você deve saber que algumas coisas não podem ser ensinadas. 
Meu amigo, não é que eu quero manter todo o conhecimento só para mim. É que eu realmente não posso te dizer ou ensinar nada. Há algumas coisas que você deve aprender sozinho. Eu não posso te dizer o que é beleza, pois está sempre em mudança para todos nós. Eu não posso dizer o que é bom ou ruim, porque isso está dentro de cada um de nós. Se eu pudesse dizer-lhe, seria de bom grado. Se eu pudesse colocar todos esses conceitos em palavras iria mudar o mundo. Mas eu não posso, então você tem que viver e aprender. Não importa o quanto isso seja difícil. 
Portanto, agora é tempo, vá em frente e revolucione o que você sabe aprenda o que ainda não sabe. Porque há coisas que não podem ser ensinadas, mas podem ser aprendidas."