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domingo, 9 de julho de 2017

"Pai, o herói que não usa capa"

"Dedicado ao seu Juquinha, que não é nenhum herói, é meu pai."

O Sol apontava timidamente seus primeiros raios sobre as montanhas que cobriam todo o horizonte. 

"Estou com medo mãe. Estou tentando encarar tudo isso de cabeça erguida. E assim vivo tentando. Tentando reconstruir todos meus melhores momentos. E o tempo vai passando e eu nem dou conta do quanto estou infeliz na tentativa de voltar no tempo". 

Minha mãe me olhou com um olhar firme. 

"Filho, não podemos viver do passado. Temos que amadurecer e seguir em frente!" 

Eu engoli o choro mais uma vez, mesmo sabendo que minha mãe não se importaria se eu chorasse na sua frente. 

"O fato é que o 'seguir em frente' pode ser mais difícil do que pensamos, mãe..." 

Meu pai entrou na varanda tateando uma cadeira para sentar. Ficou olhando para o nada, tentando imaginar o que se passava entre minha mãe e eu. Desde que meu pai perdera a visão se tornou uma pessoa extremamente sensível e auditiva. Consegue ficar horas ouvindo uma conversa antes de dizer uma palavra sequer.

"Mark, você esta deixando sua mãe e eu muito preocupados. Fala filho. Quem sabe o paizinho aqui, que não sabe de nada destas 'cabeças de jovens', pode ajudar." 

Eu abracei meu pai. 

"Sabe o que é pai? Estou com muito medo! Estou passando por um momento em que as coisas ao meu redor parecem ter perdido o sentido e entrei num profundo processo de auto-questionamento. Aqueles valores, sabe pai? Crenças e condutas que até então eram válidos já não são mais e, ao mesmo tempo, não consigo reformulá-los. Tudo isso é sentido por mim como um ‘vazio dolorido’ ou um ‘caos interior’." 

Meu pai começou a chorar. Há muito tempo ele vinha acompanhando minha tristeza sem falar nada. Ele estava sofrendo comigo em silêncio. 

"Filho, não precisa falar nada para o pai se não quiser, eu entendo pelo seu silêncio que você esta sofrendo... Mas, embora sinta muito sofrimento,eu sei que este é um momento precioso da sua vida por ser uma época de virada e superação." 

Minha mãe se aproximou. Choramos os três abraçados na varanda. Peguei minha mochila, coloquei meus óculos e o fone de ouvido. Já estava atrasado para o ônibus.

"-Filho quando você vai melhorar?"
"-Não sei pai, não sei."

Hoje, me sinto abençoado por ter o pai mais compreensível do mundo. Ele é um herói que não usa capa. É meu herói. É meu herói. 

sábado, 1 de julho de 2017

"Preciso de um herói pra me salvar agora"

"Depois de um tempo, você começa a perceber que as coisas não vão sempre na direção certa. 

Ao desenhar um rosto no vidro da janela de um carro em movimento, com certeza o desenho saíra torto. E, acelerar o mesmo carro para tentar evitar uma nuvem de mau presságio no céu, será inválido. Você não será rápido o suficiente. Não mesmo. Os tentáculos - desenhados no céu - de tudo que você tenta fugir agarrará seus tornozelos, pulsos e pescoço até você ser sufocado e quebrado ao meio. Aquilo que você deixou para trás quando tentou fazer tudo melhor, já eras, não volta mais. 

Claro, você poderia não ter feito tudo o que disse que nunca faria: chorar, agir, desejar, criar, destruir, pensar, amar, sentir, sentir os pensamentos. E com maior ou menor grau fez. e, hoje chora e se pergunta: "Por quê isso?" E com certeza  você não sabe, talvez nunca saberá. Não, você não sabe por que fez todas estas coisas. Sempre pareceu a coisa certa a fazer. No entanto, depois de um tempo, você começa a perceber que: "as coisas nem sempre são/valem o que parecem ser/valer."

Agora - durante este terrível desespero - há apenas dois lugares para correr: Aqui sozinho ou nos seus braços, se eles ainda conseguirem me confortar."